segunda-feira, 23 de junho de 2014

Defensor Sporting, um marco histórico no futebol contra a ditadura uruguaia

Sempre a sombra dos gigantes Nacional e Peñarol, Defensor soma histórias de superação e conquistas

O clube que venceu a ditadura no futebol é um grande orgulho para sua pequena torcida de Montevidéu (Foto:http://impedimento.org).
A equipe violeta de Montevidéu, carrega em sua história, marcas de luta contra as dificuldades financeiras e o domínio da dupla Nacional e Peñarol em quase toda história do futebol uruguaio. O maior orgulho desta torcida, porém, é relembrar os anos 70, quando a equipe praticamente sozinha acampou a luta contra a ditadura militar no Uruguai.

Fundado em 1913, por Nicolas Podestá, o clube nasceu inspirado em um time de operários de uma fábrica de vidro, do bairro de Puenta Carretas em Montevidéu, chamado Defensores de la Huelga. A princípio a equipe seria verde, mas o único uniforme disponível na loja de esporte do bairro era o violeta e então Defensor Foot Ball Clube ganhou sua tradicional coloração que o acompanha até os dias atuais.

Ainda na era amadora do futebol uruguaio iniciou a disputa da terceira divisão em 1913, subindo a segunda em 1914 e a primeira em 1915, mesmo ano em que terminou na quarta colocação da Copa Uruguaia. Em 1917, porém, após vencer um jogo que foi anulado a favor do Nacional de Montevidéu, a equipe foi rebaixada e encerrou suas atividades no ano seguinte, direcionando seus jogadores para uma equipe chamada Universal FC.

O retorno aconteceu em 1922 com outra nomeação, Defensor Atlético Clube, e durante esta década o time andou entre a primeira e segunda divisão amadora sem muito sucesso. Novamente em detrimento ao clube e favorecimento aos gigantes uruguaios, o Defensor teve de sair de seu estádio localizado no Parque Ricci e se mudar para o bairro Videla Alarcón, uma vez que o Peñarol construiria em Ricci seu estádio particular.

Durante as décadas de 30, 40 e 50 disputou a primeira divisão uruguaia, menos no ano de 1950 quando caiu à segundona. A história de conquistas do clube, porém, se iniciou em 1957 quando a equipe terminou na terceira colocação do nacional e ganhou o torneio quadrangular General Artigas.

Na década de 60, o clube foi comandado pela histórica família Franzini, através de Juan Carlos Franzini e Luiz Franzini (atual nome do estádio do clube, construído durante sua gestão e inaugurado em 1963). Um ano depois de construir seu estádio, um novo golpe, a equipe voltou a ser rebaixada e entrou em grave crise financeira, porém, resistiu as dificuldades da época e conseguiu se manter no profissionalismo entrando para a história na década de 70, onde definitivamente se firmou com um clube vencedor.

Anos de ouro e luta contra ditadura:

Nos anos 70, com o país em plena ditadura, Nacional e Peñarol equipe populares que, portanto, eram os times preferidos do governo, recebiam mais patrocínios e até ajuda das arbitragens, mantendo a hegemonia do futebol uruguaio na era profissional.

Foi precisamente em 1976 que o Defensor entrou para história do país. Em um campeonato de cartas marcadas, entre os gigantes Peñarol e Nacional, o Defensor até então com apenas três títulos oficiais (dois da segunda divisão local) ousou com um time jovem comando pelo técnico José Ricardo de Léon, que tinha como revelações Mario Patrón e Jorge Franzini, vencer a competição nacional.
Time de 1976, inesquecível para a "hinchada" violeta (Foto: El Pais)

Após a conquista os atletas inspirados por seu treinador, deram a volta olímpica ao contrário (da esquerda para direita) num gesto simbólico e histórico no pequeno estádio Luiz Franzini, que significou o apoio a esquerda uruguaia que no final da década de 70 se fortaleceu e derrubou o militarismo na década seguinte, com apoio maciço da população.

“O Defensor foi pouco a pouco avançando no campeonato e em determinados momentos aquele que parecia um objetivo utópico, começou a se transformar em realidade. Sobre um cenário político fechado, dominado pelos militares venceram aquele campeonato, dando a volta olímpica da esquerda para direita". conta o historiador uruguaio, Gerardo Caetano, em entrevista ao documentário Futebol nos tempos de Condor.

O treinador deste time, José Ricardo de Léon, foi um dos poucos profissionais do futebol uruguaio, ou mesmo personalidades, a encampar a luta contra o governo do ditador Juan Bordaberry Arocena (líder militar uruguaio no período de 1971 há 1976), comandando a equipe que conquistou seu primeiro título nacional com um ponto a frente do Peñarol.

Homem de esquerda ele deixou de assumir a seleção na década de 70 devido a não compactuar com as ideias dos coronéis uruguaios que como em tudo no país, tinha forte influência no futebol, em especial na AUF (Associação Uruguaia de Futebol).

Em 1976, a equipe de Léon venceu ainda a Liguilla, garantindo vaga na Copa Libertadores onde debutou em 1977 e a Copa Montevideana, que integrava diversos clubes de Montevidéu. O Defensor venceria ainda mais duas Liguilas e três Copas Montevideanas antes de conquistar o bi nacional em 1987 sem a sombra da ditadura militar em seus jogos.

O clube voltou a mudar de nome em 1989, quando houve a fusão entre o time de basquete Sporting Club Uruguaio e o clube de futebol Defensor Atlético Clube, medida que trouxe mais força financeira a instituição e aumentou seu patrimônio. Atualmente o Defensor desenvolve trabalhos de base e rendimento em modalidades como o basquetebol e atletismo, além do futebol.

Com o novo nome, o Defensor venceu ainda as edições de 1991 e 2007/08 sendo atualmente tetra campeão nacional, reconhecidamente uma das forças do futebol uruguaio e um celeiro de atletas. Somente no último mundial sub-20 e sub-17 a equipe cedeu vários atletas para a seleção nacional charrua. O Defensor revelou nestas competições jogadores de grande destaque, como Diego Rolán, De Arrascaeta e Laxalt.

No basquetebol, o Defensor é uma das forças continentais. Tendo 18 títulos nacionais, duas ligas uruguaias, dois títulos sul-americanos e um mundial alcançados ainda na década de 50 com o nome de Sporting Club Uruguaio. No atletismo a equipe conquistou cerca de 30 títulos nacionais.

Libertadores
Ao todo, o clube soma 13 participações na maior competição continental das Américas. A melhor delas acontece justamente neste ano, quando atingiu a semifinal após eliminar The Strongest da Bolívia nas oitavas e Atlético Nacional da Colômbia nas quartas. Na primeira fase a equipe terminou na primeira colocação num grupo que tinha forças sul-americanas como Cruzeiro e Universidade de Chile, além do peruano Real Garcilasso.

Os destaques da atual equipe são o meia De Arrascaeta (negociado com o Galatasaray-TUR) e o brasileiro revelado pelo Juventude, Felipe Gedoz atacante. Além do meia atacante ex- seleção uruguaia e com passagens pelo futebol espanhol e italiano, Nicolas Oliveira de 36 anos.

Rivalidade
O maior rival da equipe na atualidade é o Danúbio, no chamado clássico dos pequenos. Isto por que ambos os clubes lutam pela alcunha de terceira maior torcida e força do futebol no país, tendo vantagem em relação a torcida, segundo pesquisas do site MPC consultoria,  o Defensor com cerca de 38 mil torcedores contra 33 mil adeptos do Danúbio. Apesar disso, a maior rivalidade em termos históricos é mesmo contra a dupla preferida da ditadura uruguaia Nacional e Peñarol.

Ditadura no Uruguai
Assim como o Brasil, a ditadura se instalou no Uruguai apoiada pelos Estados Unidos, com o pretexto da proteção do estado perante o comunismo. O regime teve inicio em 1973 quando apoiado por grupos de extrema direita, o então presidente Juan Bordaberry discursou no rádio e na televisão, ao vivo, anunciando o inicio do governo militar.
 
Juan Bordaberry (1928-2011).
O pretexto era a necessidade de uma reforma constitucional que reafirmasse os princípios republicanos- democráticos. Três dias depois, Bordaberry tornou ilegal a Convenção Nacional de Trabalhadores, prendendo seus dirigentes. Entre outros presos pela ditadura estavam um dos líderes militares de esquerda, Juan Mujica, atual presidente do Uruguai.

Bordaberry seguiu no comando até 76, quando teve suas iniciativas rejeitadas pelos próprios militares, perdendo assim o apoio dos mesmos. Alberto Demichelli assumiu a presidência do país, governando-o por um ano, sendo sucedido por Aparício Méndez que ficou no poder até o ano de 1981. Um ano antes, em plebiscito, a população uruguaia descartou a constituição proposta e aos poucos o Uruguai passou a ter uma lenta, mais real abertura política.

Em novembro de 1984, as eleições democráticas voltaram a ser disputadas e o partido colorado através de Julio Maria Sanguinetti venceu as mesmas, devolvendo o poder aos civis, retirando o poder governamental dos militares após mais de 11 anos de ditadura.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Guerra das Malvinas: fútbol x football

Por: João Vitor Poppi

Conflito
As Ilhas Malvinas, situada no Atlântico Sul e com uma das menores densidades demográficas do mundo, foi o motivo da famosa Guerra das Malvinas e, consequente, ódio entre os países envolvidos. Resultado? Mais uma ação política tem reflexo no futebol!
Os conflitos tiveram largada no dia 2 de abril de 1982, quando as tropas da Argentina chegaram e atacaram as Ilhas ocupadas pela Inglaterra desde 1833. Naquele dia os soldados argentinos dominaram o local e o objetivo supostamente havia sido alcançado pelo regime militar: desviar o foco da população voltado para a grave crise econômica daquele período com um ato patriótico.
Os sindicatos suspenderam uma greve geral contra a Junta Militar, animando o governo argentino. Além da busca pela calmaria popular, o fato de na época existirem fortes indícios da existência de petróleo em Malvinas era algo muito atraente.
Os ingleses não compreendiam o real motivo da invasão dos sul-americanos: ''A Argentina vivia um momento difícil, de ditadura militar. Eram dois carecas lutando por um pente. Nós não tínhamos noção sobre onde ficavam as ilhas. A maioria achava que elas ficavam perto da Escócia'', expôs Tim Vickery, correspondente da BBC na América do Sul.
Um pouco mais de dois meses depois, no dia 14 de junho de 1982, a esperança dos argentinos caiu por terra. Apoiada diplomaticamente pelo Estados Unidos da América, que com seu serviço de inteligência militar informava as ações militares do inimigo, e com vantagem militar, a Inglaterra reconquistou as Ilhas Malvinas em um conflito que resultou em 600 mortos argentinos e mais de 250 britânicos.
O fim da Guerra com vitória britânica teve consequências opostas nos dois países. Se na argentina o regime militar enfraqueceu-se e com fortes manifestações populares o general Leopoldo Galtieri renunciou no mês seguinte, na Inglaterra foi elegido um herói, ou melhor, uma heroína: Margaret Thatcher. Ela, que viria a ser conhecida mais tarde como ''dama de ferro'', surpreendeu os sul-americanos com sua determinação ao ordenar a retomada das Malvinas, conquistando o apreço da população em geral.
(Foto: Getty Imagens)
Proibido falar Inglaterra
O time de vermelho, o adversário da Alemanha e até os piratas. Estes foram os termos que os radialistas argentinos, da rádio Rivadávia, usaram para se pronunciar sobre os ingleses na Copa de 1982, em um jogo contra a Alemanha.
As feridas pós guerra estavam abertas e a raiva contra a Inglaterra a flor da pele, pois aquele jogo ocorreu semanas depois da Guerra das Malvinas.

Vingança nas quatro linhas
Não demorou muito. No dia 22 de junho de 1986, sob um estrelado sol no México, Maradona fez o maior jogo de sua carreira e a adversária não poderia ser outra: a inimiga Inglaterra. Aquele jogo de Copa do Mundo teve em seu gramado a extensão do sentimento resultante da Guerra, prova disso é a declaração do camisa dez albiceleste no pré-jogo: ''Quando penso na Inglaterra não posso tirar da cabeça os meninos que morreram na Guerra das Malvinas''.
Esses 90 minutos proporcionaram ao futebol o gol de mão do ''Pibe de Ouro'', a famosa ''La mano de Dios'', que para muitos argentinos é um castigo aos ingleses, e nada mais nada menos que o gol mais bonito da carreira de Maradona, um dos memoráveis momentos do futebol mundial. Em dez segundo ele percorreu 60 metros, driblou seis adversários incluindo o goleiro e decretou a vitória dos hermanos por 2 a 1. Uma vitória com gosto de revanche argentina e que criou um vilão para os ingleses.

Persona non grata
Amado pelos argentinos, o ''Pibe de Ouro'' não é bem quisto na Inglaterra. Em 2011 Maradona foi ao estádio Craven Cottage, do Fulham FC, em Londres, tanto para observar seus compatriotas Aguero e Zabaleta, atletas da seleção argentina e do visitante Manchester City, quanto conhecer melhor o time londrino, pois ele era uns dos cotados a ser o novo treinador da equipe.
A ideia não foi das melhores. Assim que os torcedores do Fulham viram Maradona, que ainda caminhou no gramado do estádio com integrantes da direção do clube, foi entoado o grito de ''trapaceiro'' – claro, relembrando o gol de mão na Copa de 86 sobre a Inglaterra.
Maradona não teve paz na visita ao estádio inglês e o presidente do Fulham percebeu que não seria uma boa ideia colocar o argentino como treinador de seu clube.

Do Papa a seleção
No dia 7 de junho, em Buenos Aires, mais precisamente no lotado Monumental de Nuñez, a seleção argentina fazia seu último amistoso, contra a Eslovênia,  antes da embarcar para a Copa no Brasil. O resultado do jogo foi a abertura de um processo da FIFA contra a Associação Argentina de Futebol (AFA), por desrespeito a um artigo das Regras de Segurança em Estádios da entidade.
O motivo do transtorno foi a manifestação política dos jogadores argentinos, aproveitando os holofotes voltados para a despedida da seleção antes do Mundial, entrando em campo segurando uma faixa com os seguintes dizeres: ''As Malvinas são argentinas''.
Pensamento idêntico possuí o Papa. Pensamento idêntico talvez possua todo país. Jorge Mario Bergoglio, hoje papa Francisco, afirmou em 2012 que as Ilhas Malvinas eram um território "usurpado" e disse sobre as Ilhas: "São nossas".

Chile, o cúmplice
O duelo entre Argentina e Chile ultrapassa as barreiras esportivas, quando as duas seleções estão frente a frente o sentimento patriótico está em jogo. Tudo se explica, mais uma vez, pela Guerra das Malvinas.
Durante os conflitos que tiveram vitória inglesa sobre os argentinos, os chilenos serviram como base de apoio avançada para os bretões. A postura chilena foi fundamental para o sucesso dos soldados da rainha no continente sul-americano.
Depois deste ocorrido, nunca mais os jogos entre os albicelestes e a la roja foi como antes. A cada novos 90 minutos disputados, os argentinos veem uma nova chance de libertação da derrota na guerra e redenção de seu povo



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Camarões aposta suas fichas na forte marcação e no talento de Eto'o

Apesar da experiência internacional e qualidade de seus atletas, boa campanha dos leões passará provavelmente pelo desempenho do craque ex-Chelsea

Por: Luis Henrique de Sá Perles












República dos Camarões
Presidente: Paul Biya.
População: 20. 549. 221.
Capital: Yaoundé.
IDH:0,460.
PIB:40,10 bilhões.
Moeda: Franco CFA
Principais cidades: Douala (1.338.082 habitantes), Yaoundé (1.299.369) e Garoua (436.899).
Fronteiras: Nigéria (oeste), Chade (nordeste), República Centro Africana (leste), Guiné, Gabão e Congo (ao sul).
Idioma: Francês e Inglês.
Participações em Copas: 7 (1982, 1990, 1994, 1998, 2002, 2010, 2014).

Conheça um pouco da história de Camarões:
O país localizado na área ocidental da África, foi ocupado nos primeiros séculos pelos Bakas (pigmeus africanos) que habitavam a região sul e leste do território. Poucos séculos depois, foi a vez da região norte ser dominada pelos pastores islâmicos do povo Fulani, que expulsou toda população não muçulmana do local, dividindo o país.

Assim como no Brasil, os portugueses por volta de 1500 chegaram ao território, mas não resistiram as doenças locais como a malária, não conseguindo dominá-lo. Algo que ocorreu apenas três séculos depois em 1884, quando alemães conquistaram as terras camaronesas. Após a segunda guerra mundial e a derrota alemã, o país foi dividido entre o Reino Unido e a França.

E esta nova divisão afetou o estado até a década de 60, quando a parte francesa se tornou independente, recebendo o nome de República dos Camarões. Um ano depois a parte inglesa se dividiu e através de um plebiscito, a metade norte se anexou a Nigéria e parte mais ao sul formou um novo país denominado Camarões Ocidentais. Apenas em 1972, o presidente Ahmadou Ahidjo  determinou por meio de nova constituição a união das repúblicas, formando o atual território camaronês.

Como a maior parte dos países africanos, o Camarões tem uma economia frágil baseada na agricultura e na pecuária, necessitando de parcerias com países europeus, como Alemanha, França, Estados Unidos, Bélgica, Espanha, Itália, Luxemburgo e Holanda.

Mesmo nas cidades de maior relevância como a capital Yaoundé é comum encontrar ruas sem asfalto e vários bairros sem tratamento de esgoto. As favelas e lixões a céu aberto também fazem parte das paisagens de diversas cidades, em especial no interior do país.

Cultura
O país é dividido em termos de religião. Metade da população é cristã, e a outra metade se divide entre as crença locais das antigas tribos e o Islamismo. O povo camaronês, aliás, é marcado pela miscigenação de povos e etnias que formam uma cultura toda especial ao país. Sua composição étnica atual é de 31% de população de origem camaronesa, 19 % da tribo Bantos, 11% dos Quirdis, 10% dos Fulanis e 29% de outros grupos étnicos.

O prato nacional dos Camarões é Ndolé, um cozido constituído de folhas amargas e nozes com carne de peixe ou cabra. Os camaroneses, assim como os brasileiros consumem ainda um alto percentual de mandioca, inhame, arroz, banana, batata, milho e feijão que formam o cardápio diário deste povo.

A música também é destaque na cultura local, e o estilo mais famoso e de sucesso por lá é mesmo a Makossa que tem forte influência do Jazz, músicas latinas e highlife. A Makossa se difundiu no país na década de 60 através dos músicos como Manu Dibango[1] e ficou conhecida no mundo inteiro após a última Copa, na África 2010, quando a colombiana Shakira cantou a música tema do mundial utilizando-se do ritmo camaronês.

Futebol Local

O futebol camaronês padece com a baixa estrutura e orçamento de suas equipes. A maioria dos talentos do país saí cedo, antes mesmo de se profissionalizar, para as ligas europeias como a belga, francesa, suíça, alemã dentre outras.

A equipe mais vencedora e conhecida do futebol local, que é o primeiro esporte do país, é o Coton Sports com doze conquistas sendo o atual campeão da liga camaronesa, seguido de perto pelo rival Canon Yaoundé com dez conquistas. O campeonato local é formado por 19 equipes sendo encerrado em agosto e atualmente liderado pelo Unisport da cidade de Bafang.

Dos 28 atletas pré-convocados apenas dois atuam na liga nacional, o goleiro Feudjou e o lateral direito Cedric Djeugoue, ambos do Coton Sports.

Seleção Camaronesa

Lista de convocados:
Goleiros
Guy-Rolland Assembe (Guingamp), Loic Feudjou (Coton Sport), Charles Itandje (Konyaspor), Sammy Ndjock (Fethiyespor).
Defensores
Benoit Assou-Ekotto (Tottenham Hotspur), Henri Bedimo (Olympique Lyon), Gaeten Bong (Olympiakos Piraeus), Aurelien Chedjou (Galatasaray), Cedric Djeugoue (Coton Sport), Jean-Armel Kana Biyik (Stade Rennes), Nicolas Nkoulou (Olympique Marseille), Dany Nounkeu (Besiktas), Allan Nyom (Granada).
Meias
Enoh Eyong (Antalyaspor), Raoul Cedric Loe (Osasuna), Jean Makoun (Stade Rennes), Joel Matip (Schalke 04), Stephane Mbia (Sevilla), Benjamin Moukandjo (Nancy), Landry Nguemo (Girondins Bordeaux), Edgar Salli (Racing Lens), Alexandre Song (Barcelona).
Atacantes
Vincent Aboubakar (Lorient), Eric-Maxim Choupo Moting (Mainz), Samuel Eto'o (Chelsea), Mohamadou Idrissou (Kaiserslautern), Fabrice Olinga (Malaga), Achille Webo (Fenerbahce).

Pode-se dizer que o maior problema encontrado pela seleção camaronesa nos últimos anos tem sido a falta de organização e união de sua federação de futebol com os atletas. Ao ponto que nos últimos dias uma greve foi ameaçada pelos jogadores devido ao não pagamento da premiação pela qualificação à Copa 2014.

A vaga, aliás, veio depois de uma primeira fase onde a equipe camaronesa superou as seleções de Togo, Congo e Líbia. Se classificando a fase final das eliminatórias, onde venceu a Tunísia na cidade de Yaoundé por 4 a 1, vitória que garantiu os Leões no Brasil 2014, após um primeiro jogo com placar em 0 a 0 na capital tunisiana, Tunis.

Ainda em termos de relacionamento comenta-se que o treinador alemão Volker Finke, não conta com o apoio da maior parte do elenco, além disso os jogadores teriam certos ciúmes da badalação feito sobre o craque Samuel Eto'o.

A maior estrela camaronesa chega ao 32 anos mais lento, porém com o mesmo faro de gol e habilidade que podem fazer a diferença para o time camaronês. Além de Eto'o outros destaques individuais da equipe são Chupo Moting atacante do Mainz 05 da Alemanha e os volantes Enoh Eyong do Antalayspor da Turquia, Alexander Song ex-Arsenal e atualmente no Barcelona, além de Mbia do Sevilla da Espanha.

O estilo de jogo da equipe africana (joga no esquema 4-1-4-1) é baseado na forte marcação com sua primeira linha de defesa, um volante (Enoh) e mais quatro homens de meio que colaboram com a marcação. O jogador com maior liberdade é mesmo Samuel Eto'o, que ainda assim por vezes troca de função com Moting, saindo como um meia esquerda ou direita.

A vitória sobre Macedônia e o empate contra a Alemanha mostraram a força deste esquema. O problema é grande inconstância do time que por vezes comete erros primários em especial em seu sistema defensivo. O lado esquerdo da defesa com Ekoto e Matip é o ponto fraco da equipe de Volker Finke, que tem como opção para melhorar o setor o lateral/zagueiro Bedimo do Lyon da França.

O técnico pode também mudar a formação, escalando Webo ou Aboubacar como centroavantes recuando Eto’o para o lado direito ou meia de ligação, formando em determinados situações, em especial diante de adversários mais frágeis, um 4-2-3-1 com Eto’o, Moting e Moukandjo (ou N’Guemo) com Aboubacar ou Webo na frente.

"As seleções africanas, quando surgiram no cenário mundial, deram a impressão que seguiriam um caminho. Mas não houve a evolução que eu esperava. É uma seleção fisicamente muito forte, mas tem um momento em que o jogo bruto se sobrepõe ao jogo técnico. Tem o Eto'o, um atacante excepcional, mas o técnico é um alemão. Não sei se os europeus conseguem entender que o jogo africano precisa ser um pouco mais leve", comenta o jornalista do Sportv, Paulo Cesar Vasconcellos.
Futebol camaronês chega a sua sétima Copa cercado de divergências entre jogadores e autoridades do futebol local (Foto:http://futebolportugal.clix.pt)

Time base: Itandje, Djeugoue, N´Koulou, Matip, Bedimo (Ekoto), Enoh, Mbia, Song, Moukandjo, Moting, Eto'o.
Téc: Volker Finke.





[1]Manu Dibango (1933-) é um dos músicos mais conhecidos do Camarões, sendo responsável pela divulgação do estilo Makossa, o mais famoso do seu país. Sua música de maior sucesso foi Soul Makossa que teve partes de sua letra incorporada, sem autorização de Dibango, por Michael Jackson em "Wanna Be Startin' Somethin" e Rihanna em "Don't Stop the Music", ambos os artistas foram processados pelo cantor e saxofonista camaronês.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Com base do futebol local, México chega a Copa querendo surpreender

Após campanha ruim nas eliminatórias, seleção tenta se reconstruir para edição 2014 da Copa do Mundo

Por Luis Henrique de Sá Perles















República Presidencialista do México
Presidente: Enrique Peña Nieto.
População: 118.395.0542 habitantes.
IDH:0,775.
PIB:1,629 trilhões de dolares
Moeda: Peso Mexicano.
Capital: Cidade do México.
Principais cidades: Cidade do México (8.864.370), Guadalajara (4.434.878), Monterrey (4.106.054).
Fronteiras: Ao norte Estados Unidos, ao sul Belize e Guatemala.
Idioma: Espanhol.
Participações em Copa: 15 (1930, 1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1978, 1986, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014).

Conheça um pouco da história do México:

Um país com grande tradição católica, conhecido também por ter abrigado na antiguidade civilizações históricas como os Aztecas e Maias, o México é uma nação habitada desde o ano 9.000 A.C por povos que através da domesticação e produção de alguns grãos, em especial o milho, criaram civilizações organizadas e modernas. Além dos Aztecas e Maias, Mixtecas, Teotihuancanos, Toltecas e Olmecas se abrigaram na região do atual país latino americano.

No século 16, porém, a chegada de navios espanhóis para colonizarem o México dizimaram a maior parte desta população, passando o país a ser mais uma colônia espanhola, como quase toda América Latina. E segundo estudiosos, a maior parte da cultura mexicana foi criada nesta época, o que afastou as gerações futuras da ligação mais forte com o povo de origem deste país. (A fé católica, as comidas e a língua foram todas trazidas da Espanha).

O México tornou-se um país independente apenas em 1810, declarado pelo Padre Miguel Hidalgo Costilla, mas teve de enfrentar várias disputas territoriais internas e com os EUA. O Texas, Califórnia e Novo México, por exemplo, eram territórios mexicanos que após confrontos armados contra os americanos foram conquistados pelos Estados Unidos, formando o atual território do país latino.

Apesar das guerras e perdas territoriais, atualmente a ligação entre Estados Unidos e México é latente. Não apenas em território, mas a economia e a cultura americana até mesmo nos esportes está enraizada no país latino. A maneira de torcer e os estádios de futebol mostram bem esta realidade. No país, o futebol é um divertimento, lazer que gera grandes lucros e não uma paixão enlouquecedora e até violenta como em países como o Uruguai, Argentina e Brasil.

Em termos econômicos, o México é a 11° maior economia do mundo, sendo um país emergente que duela ainda com dois problemas. O tráfico de drogas em especial no interior do país em cidades como Juaréz (considerada uma das mais violentas do mundo) e a poluição na cidade do México, que apesar de ter diminuído muito, ainda preocupa as autoridades mexicanas.

Cultura
Um dos elementos mais culturais e típicos do país é a religião, como um estado praticamente católico com mais de 89% da população que segue esta doutrina, os mexicanos tem alta devoção à Nossa Senhora de Guadalupe padroeira do país. As comunidades mexicanas também são conhecidas pelas histórias de milagres, como a hóstia que sagra na cidade de Guadalaraja na Paróquia Maria, Mãe de Deus em 2013.

Além da religião, o cinema e as novelas são outros pontos fortes da cultura mexicana. Ligada a indústria americana, mas sem perder o claro jeito latino de produção, o México tem diversas obras premiadas e de sucesso neste âmbito, com as novelas Usurpadora, Maria do Bairro, Rebelde, a Feia Mais Bela e o seriado Chaves que fizeram sucesso em várias pares do mundo, inclusive no Brasil.

Filmes como Aconteceu Naquela Noite de 1939 e atualmente o sucesso Nosotros Los Lobles, que  bateu o recorde em arrecadação de bilheteria no país com mais de 6,5 milhões de reais, (a comédia faz uma crítica satírica em relação ao poder da elite mexicana e como a mesma controla o país em detrimento aos pobres) fazem parte dos grandes sucesso do cinema mexicano.

A comida também é outro fator relevante da cultura local, com forte tempero, quase sempre apimentada, sua culinária tem como destaques o Tacos, que é uma espécie de tortilha à base de milho que pode ser recheada com carne, saladas, queijo e tomate e deve ser consumida com a mão quase como um sanduíche. Além do Guacamole que nada mais é do que uma salada feita com purê de abacate e ervas. Em termos de bebida a tequila é que reserva o maior consumo no México, sendo a mesma, um líquido destilado que advém de uma espécie de abacaxi gigante, o agave azul, tipíco da região de Jalisco.

Futebol  local

O futebol mexicano tem como grande força o América do México time de maior torcida que atua no maior estádio do país, o Azteca, com capacidade para mais de 100.000 torcedores. Além do clube amarelo da capital, o Chivas Guadalajara é outro time com relevância no país, contando com a segunda maior torcida, seguido de perto pelo Cruz Azul, outro gigante da Cidade do México.

O atual bicampeão nacional, porém, é o Club de Futebol Léon que conta com a presença de jogadores selecionais em seu elenco como os meias Guillit Pena, Juan Vásquez e o zagueiro e capitão da seleção nacional, Rafa Marquéz.

A Liga Mexicana tem os estádios mais modernos da América Latina. Com o estilo americano, o futebol do país tem no investimento das grandes empresas e na fidelização do público voltado para o lazer, a garantia de retorno financeiro que faz com que os clubes do país tenham condições de importar atletas uruguaios, argentinos, chilenos e brasileiros que colaboram para uma liga mais forte.

O maior clássico do futebol mexicano é América x Pumas que reúnem as duas torcidas mais fanáticas da Cidade do México. Jogos destas duas equipes contra o Cruz Azul também agitam a cidade e todo país.

Os maiores campeões da competição são: Chivas Guadalajara 11 conquistas, América e Toluca com dez conquistas, Cruz Azul com oito e Pumas com sete títulos.

Seleção Mexicana

Lista de convocados:
Goleiros: Jesús Corona (Cruz Azul), Guillermo Ochoa (Ajaccio), Alfredo Talavera (Toluca)
Defesa: Paul Aguilar (América), Andrés Guardado (Bayer Leverkusen), Miguel Layun (América), Rafael Márquez (León), Héctor Moreno (Espanyol), Diego Reyes (Porto), Francisco Rodriguez (América), Carlos Salcido (Tigres).
Meio-campo: Marco Fabián (Cruz Azul), Hector Herrera (Porto), Miguel Angél Ponce (Toluca), Guillit Peña (León), Javier Aquino (Villareal-ESP), Juan Vázquez (León), Isaac Brizuela (Toluca)
Ataque: Oribe Peralta (Santos Laguna), Alan Pulido (Tigres), Javier "Chicharito" Hernández (Manchester United), Raúl Jiménez (América) e Giovani Dos Santos (Villarreal).

Basicamente composta por atletas que atuam no país, a seleção do México chega a esta Copa sobre total desconfiança de sua torcida. Após uma campanha muito ruim nas Eliminatórias, onde o time apenas se garantiu na repescagem na última rodada, devido a uma vitória americana sobre o Panamá. O México venceu a Nova Zelândia (por duas oportunidades) e garantiu vaga na Copa de 2014, onde enfrentará no grupo A além do Brasil, Camarões e Croácia.

Com Miguel Herrera (ex-técnico do América do México e o terceiro treinador da seleção desde 2013) a equipe tem evoluído, além de garantir classificação à Copa vencendo a Nova Zelândia, venceu também a Coreia do Sul, Israel e Equador e empatou frente ao EUA e Nigéria em amistosos.

Herrera com pouco tempo de trabalho convocou dezenas de atletas, mas fechou sua lista com 23 no dia 9 março, onde manteve a base de equipe que disputou os jogos frente a Nova Zelândia pela repescagem da Copa. As maiores baixas por contusão ficaram por conta do volante Medina e o meia Montes, homens de confiança e titulares de Herrera. Os atletas foram substituídos pelo volante Miguel Ángel Ponce (Toluca-MEX) e Javier Aquino (Villareal-ESP).

Atualmente o técnico varia o esquema do time do 4-4-2 para o 3-5-2, sendo neste último onde a equipe tem conquistado bons resultados e o melhor futebol. Com González, Moreno e Rafa Marquéz a equipe ganha em consistência defensiva e saída de bola, uma vez que o experiente zagueiro ex-Barcelona e Mônaco tem excelente passe. O goleiro Corona do Cruz Azul e seu reserva Ochôa (do rebaixado Ajaccio-FRA) dão tranquilidade ao treinador nesta posição.

No meio, além da pegada na marcação de Herrera, Guillit Peña e o meia Fabian dão criatividade e opções para chutes de média distância. Na frente Giovanni dos Santos e Peralta, centroavante que marcou na final dos últimos jogos de Londres 2012 contra a Seleção Brasileira, são esperanças do treinador que tem deixado Chicarito Hernandéz do Manchester United no banco. Outro destaque mexicano é o meia/volante/ala pela esquerda Guardado, atualmente no Bayer Leverkusen da Alemanha.

"O estilo de jogo do México parece não se encaixar com o estilo brasileiro. O time mexicano tem muita posse e toque de bola. Isso complica muito para o Brasil. A classificação do México foi difícil, até certo ponto improvável. Agora classificada e pacificada, porque houve muitos problemas entre jogadores e comissões técnicas que assumiram o México, é uma seleção para se prestar atenção porque tem bons jogadores. Chicharito, Giovani dos Santos, Guardado. São nomes bastante conhecidos até do público brasileiro. Não acho legal ter o México como adversário. Não gosto", afirmou Noriega.

Após bons resultados com o treinador Herrera, seleção mexicana chegará ao Brasil mais confiante (Foto: Jornal Estadão)

Time base: Corona, Aguilar, Rodríguez, Rafa Marquéz, Moreno (Salcido), Guardado, Herrera, Peña, Fabian, Giovanni dos Santos, Peralta (Chicarito Hernandéz) .

Téc: Miguel Herrera.